Há muuuiito tempo, quando o penico ainda era despejado borda fora, um certo poeta de terras de Sua Majestade, de seu nome John Donne, escreveu que "Nenhum homem é uma ilha".
Ora cá estou eu, preparadíssima (qual douto professor de filosofia) para dissecar esta frase, à luz dos tempos em que vivemos.
Não posso deixar de reconhecer que somos o resultado das influências que absorvemos e das vivências que temos o privilégio (ou não) de experienciar. É claro que existe um conjunto de variáveis que não podemos controlar, mas é igualmente verdade que temos a faculdade de fazer escolhas e decidir pelo caminho a) ou b). A isso eu chamo de pensamento crítico.
Isto leva-nos a outro aspeto tanto ou mais emocionante, que é a capacidade de rejeitarmos um hambúrguer, por preferirmos comer o bife inteiro! Basicamente, a par da capacidade de rirmos, eu diria que esta é das poucas caraterísticas que nos distingue dos nossos caros companheiros, os bichos. Animalidades à parte e, não querendo fugir ao tema do nosso Dear John, é entusiasmante pensar que apesar de não nos podermos desvincular da sociedade (ainda que às vezes nos apetecesse...), cabe-nos uma franja mais ou menos larga de livre arbítrio.
No outro dia, estava eu na paragem do autocarro, quando duas amigas olhavam as unhas uma da outra, comentando que precisavam de queratina. Pensava eu para com os meus colchetes: pois está claro que precisas de queratina! Debaixo desse naco de plástico que trazes nas pontas dos dedos, já não existe queratina nenhuma! Foi então que num esgar automático, reparei que eu era o único exemplar do sexo feminino que ali estava, sem unhas de gel e com a minha queratina natural à vista. Senti-me um ser exótico... Passado uns minutos, as criaturas formulavam grandes dissertações sobre a tinta do cabelo, enquanto manejavam orgulhosamente e com bravura os seus "aifónes".
Repleta de cabelos grisalhos e sendo legítima proprietária de um telemóvel partido, herdado da descendente, confirmei ser um alien, daqueles que não estão registados naquela coisa do "livro dos rostos", que penso ser a nova denominação para a conservatória de registo civil... E penso que é aí que nos dias de hoje se valida o rating da amizade. Quantos mais amigos virtuais, mais sentimento de pertença!?
Ao mesmo tempo, chegam-me palavras de surpresa quando visto o "modelito de ir à missa" num dia de semana. Porquê? Porque os dias de festa, são todos os dias em que estou viva, não? É como aquelas pessoas que estão sempre a guardar o serviço de louça para a ocasião especial, que nunca chega. Usem a louça especial HOJE, porque amanhã é uma dúvida.
Como se apregoa em marketing, uma das estratégias mais críticas de formulação de uma proposta de valor é através da diferenciação. Contudo para sermos diferentes, não é necessário sermos extremistas, ok?
Apenas remar contra a maré em alguns aspetos que consideramos cruciais para sentirmos que somos a maçã vermelha, no meio das maçãs verdes. Sairmos do sofá das nossas certezas, arregaçar as mangas e fazer coisas diferentes por nós e pelos outros. SÓ NÓS PODEMOS FAZER AS COISAS ACONTECER!
Afinal de contas, também eu prefiro comer o bife, ao hambúrguer que a multidão propõe!
Beijinhos xxx



Certeira e por vezes letal, mas sempre construtiva! ;)
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